Se você notou mais fios no ralo do chuveiro ou na escova, saiba que essa é uma preocupação extremamente comum.
Mas, antes de se desesperar e buscar qualquer produto, você precisa entender a regra número um: a queda de cabelo é um sintoma, e não a causa primária de um problema. Por isso, buscar ajuda médica é essencial na hora de cuidar do couro cabeludo.
Para te ajudar a entender melhor as principais causas da queda capilar e quais os sinais de alerta para buscar um dermatologista, conversamos com a Dra. Daniele Balbi, Dermatologista Membro Efetivo SBD e Diretora Médica da Noviole. Confira!
Principais causas da queda capilar
A queda capilar pode ocorrer por diferentes motivos, sendo que os mais comuns são:
1. Alopecia androgenética (Calvície Hereditária)
Essa é uma condição em que a queda de cabelo está intimamente ligada à genética e à ação de certos hormônios, particularmente o DHT. O processo atua fazendo com que o folículo capilar encolha progressivamente ao longo do tempo.
Esse encolhimento, por sua vez, resulta em fios que se tornam visivelmente mais finos e em ciclos de crescimento mais curtos. Embora seja mais associada aos homens, a alopecia androgenética também afeta as mulheres.
2. Eflúvio telógeno
O eflúvio telógeno se caracteriza por uma queda temporária e generalizada dos fios. Esse tipo de queda ocorre quando o organismo passa por um “empurrão” que faz com que uma grande quantidade de folículos entre na fase de queda (telógena) ao mesmo tempo.
Os fatores desencadeantes podem incluir uma febre alta, uma cirurgia recente, má nutrição, estresse extremo, ou grandes alterações hormonais . Justamente por isso, é fundamental ter atenção especial no pós-parto, após cirurgias ou depois de episódios de febre alta, momentos em que o descanso é essencial.
3. Alopecia areata
Trata-se de uma doença autoimune onde o sistema imunológico, por engano, ataca os folículos capilares . Clinicamente, essa condição provoca o surgimento de falhas arredondadas no couro cabeludo .
A evolução da alopecia areata é variável, já que ela pode tanto regredir espontaneamente, sem necessidade de intervenção, quanto exigir um tratamento específico para controlar a ação do sistema imune e estimular o crescimento dos fios.

4. Distúrbios hormonais
A queda capilar pode ser um sintoma de desequilíbrios sistêmicos, frequentemente ligados a disfunções endócrinas . As alterações podem incluir problemas na tireoide, como hipo ou hipertireoidismo, bem como fases naturais da vida como a gravidez e a menopausa .
Além disso, a queda pode estar associada à síndrome dos ovários policísticos e a alterações em hormônios sexuais masculinos ou femininos . A avaliação médica especializada é vital, pois a queda, nesses casos, está ligada a outras condições de saúde que precisam ser tratadas.
5. Deficiências nutricionais
A carência de nutrientes essenciais no corpo, seja por falta de ingestão ou má absorção, é uma causa comum de queda de cabelo . Alguns nutrientes que, se em falta, podem provocar a queda capilar são o ferro, o zinco e as proteínas, além de vitaminas como a vitamina D e algumas do complexo B.
Manter uma alimentação equilibrada, rica em minerais, vitaminas e proteínas, é um cuidado diário que complementa o tratamento, corrigindo as deficiências diagnosticadas.
6. Estresse físico ou psicológico
O estresse não é apenas um fator emocional, mas um quadro que provoca alterações bioquímicas no corpo. Ele pode ser o responsável por desencadear o eflúvio telógeno ou agravar outras condições capilares existentes .
A queda é causada devido aos elevados níveis de cortisol e processos inflamatórios generalizados, que afetam diretamente o folículo. Por isso, a redução do estresse, por meio de sono de qualidade, prática de exercícios e técnicas como mindfulness, é um cuidado cotidiano que auxilia no tratamento da queda.
7. Agressões externas
O manuseio inadequado dos fios também é um fator que pode causar danos que levam à quebra e à queda . As agressões englobam os danos químicos, como alisamentos ou tinturas, bem como o uso frequente e excessivo de fontes de calor, como chapinha e secador.
Além disso, penteados que tensionam ou “puxam” muito os fios, como rabos de cavalo muito apertados ou tranças, exercem força nos folículos que podem levar à queda capilar caso sejam feitos frequentemente.

8. Doenças de couro cabeludo / infecções
Um couro cabeludo saudável é a base para fios fortes e condições que o inflamam ou infeccionam podem levar à queda capilar. Entre as doenças que podem lesar os folículos estão a dermatite seborreica, a psoríase e a micose do couro cabeludo .
Sinais como coceira severa, descamação, vermelhidão ou dor são alertas que indicam a necessidade urgente de consultar um dermatologista, pois podem significar inflamação ou infecção ativa.
9. Medicamentos / tratamentos sistêmicos
Certos tratamentos médicos necessários para outras condições de saúde podem ter como efeito colateral a interferência no ciclo de crescimento capilar . Isso inclui a quimioterapia, alguns medicamentos específicos e o uso de alterações de hormônios exógenos.
A queda após o início de uma nova medicação ou tratamento é um sinal de alerta claro para procurar um dermatologista. É importante ressaltar ainda que utilizar medicamentos sem orientação médica pode trazer riscos, devido a possíveis efeitos colaterais e contraindicações.
Veja também nosso conteúdo sobre ouso de shampoos sólidos!
Por que buscar ajuda médica especializada em primeiro lugar?
É um fato que quando o assunto é queda de cabelo, tempo é igual a cabelo. Como explica Balbi: “Quanto mais você tentar tratar sozinho, ou seguir recomendações de não especialistas sem embasamento, mais você perderá cabelo”.
Por isso, antes de iniciar qualquer produto ou protocolo, o primeiro passo sempre deve ser a avaliação médica especializada, idealmente dermatológica. Essa avaliação é essencial para obter um diagnóstico correto, visto que a queda capilar pode ter muitas origens, e um tratamento eficaz depende da identificação exata da causa (ou causas) ativa no seu caso.
Além disso, a intervenção médica evita o agravamento ou danos permanentes, já que, em alguns tipos de queda, a demora no tratamento pode levar à perda definitiva dos folículos. A orientação profissional também garante a sua segurança, pois alguns tratamentos envolvem medicamentos com potenciais efeitos colaterais ou contraindicações, e o uso sem supervisão médica pode trazer riscos.
Por fim, o médico dermatologista oferece uma abordagem integral, pois a queda capilar pode estar ligada a outras condições de saúde e um dermatologista poderá requisitar exames específicos ou encaminhar para outros especialistas, se necessário, garantindo um tratamento completo e seguro.

Sinais de alerta: quando procurar um dermatologista?
É hora de consultar um dermatologista caso perceba algum destes sinais:
- Queda persistente que dura por mais de algumas semanas sem melhora;
- Áreas com falhas visíveis (buracos no couro cabeludo);
- Fios muito afinados ou uma mudança clara na densidade capilar;
- Coceira severa, vermelhidão, descamação ou dor no couro cabeludo;
- Sinais de inflamação ou infecção;
- Histórico familiar de calvície significativo;
- Queda após uso de medicação, cirurgia, parto ou estresse extremo;
- Impacto emocional e na autoestima.
Cuidados diários e estilo de vida que complementam o tratamento
Enquanto o tratamento médico estiver em curso, alguns cuidados diários podem fazer a diferença:
- Nutrição e hidratação: mantenha uma alimentação equilibrada, rica em vitaminas, proteínas e minerais , e uma hidratação corporal adequada;
- Controle do estresse: reduza o estresse com técnicas como mindfulness, prática de exercícios e garantindo um sono de qualidade;
- Proteção capilar: use shampoos suaves, adequados ao tipo de couro cabeludo; Evite penteados muito apertados ou o uso excessivo de fontes de calor;
- Proteção solar: proteja os fios e o couro cabeludo do sol, pois a radiação UV pode causar danos;
- Cautela com químicas: evite químicas muito agressivas ou dosagens altas sem suporte profissional;
- Atenção em períodos críticos: no pós-parto, pós-cirurgia ou depois de febre alta, o acompanhamento médico, o bom descanso e a alimentação são importantes devido à alta chance de eflúvio.

Mitos comuns sobre a queda de cabelo
| Mito | Realidade |
| Lavar o cabelo todos os dias causa queda permanente | Lavar com frequência só arranca os fios que naturalmente já iriam cair. No entanto, o uso de shampoo agressivo pode agravar a fragilidade capilar |
| Só homens têm calvície séria | A Alopecia androgenética também afeta as mulheres, especialmente após a menopausa ou na presença de distúrbios hormonais |
| Produtos cosméticos ou naturais resolvem tudo | Alguns cosméticos e ativos naturais ajudam, mas em muitos casos a queda exige tratamento médico. Usar somente ‘cases’ naturais pode atrasar o diagnóstico |
| Se o cabelo já caiu, não tem como recuperar | Depende do tipo de queda. Em muitos casos, com diagnóstico precoce e tratamento adequado, há melhora significativa ou recuperação parcial |
A queda capilar pode ter diversos fatores envolvendo aspectos hormonais, genéticos, nutricionais e de estilo de vida. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são a chave para reverter ou controlar a queda de cabelo.
Gostou de aprender mais sobre esse tema? Continue por aqui e veja também nosso conteúdo sobre a dermatite seborreica!
Referências
MULINARI-BRENNER, Fabiane; SOARES, Ivy Faigle. Alopecia androgenética masculina: uma atualização. Revista de Ciências Médicas, [S. l.], v. 18, n. 3, 2009. Disponível em: https://seer.sis.puc-campinas.edu.br/cienciasmedicas/article/view/642. Acesso em: 10 out. 2025.
QUEIROZ DE MACEDO CASTOR DE LIMA, P. C.; BRANDÃO, B. J. F. Eflúvio Telógeno Agudo e Alopecia Areata Associada a COVID-19. BWS Journal , [S. l.], v. 5, p. 1–9, 2022. Disponível em: https://bwsjournal.emnuvens.com.br/bwsj/article/view/273. Acesso em: 10 out. 2025.